1 de novembro de 2013

Vídeos Top da Região de Sao Carlos

Fala Galeera, final de semana passado fui pra Itaqueri da Serra, um dos melhores picos de esportiva daqui da regiao de cuestas arenítico-basálticas. O pico conta hoje com cerca de 70 vias de 8 a 25 metros, de 4 a 10a confimados, e alguns projetos fortes. O pico conta com uma boa quantidade e variedade de sétimos, oitavos e alguns bons nonos. É dividido em três principais setores, além de mais alguns fragmentos, principalmente entre o segundo e terceiro setor, com algumas vias interessantes. O primeiro setor contém vias mais curtas e boulderísticas, com crux bem definidos e lances fáceis no meio, na maioria das rotas. o Segundo setor contém vias muito interessantes, maiores e mais expostas, mas que ainda ficam no campo dos crux bem definidos, com betas bem específicos. O terceiro setor é o que contém o maior número de rotas próximo dos 20 metros, chegando aos 25, com muitos negativos e vias mais desafiadoras. O ambiente é protegido por uma mata galeria que proporciona sombra, encostos e abrigo, além de mosquitos (lembre de levar repelente).
O setor fica em propriedade privada e deve-se tomar o máximo de cuidado e ter atençao redobrada para mantermos o acesso tranquilo.

Nesse post, reuni alguns vídeos produzidos pelo Rafana, do site escaladaint.com .br.

Via Vovô é Foda 9c, Primeiro Setor, Itaqueri da Serra-SP. A via foi aberta pelo Animal, Koberle e Greg. No vídeo Julio Kalango faz a repetiçao da rota.


Esse próximo é a cadena da via A Cusada, 8c no Primeiro Setor de Itaqueri. Ana Lígia, escaladora local, encadena a via que foi aberta por mim e Fernando Animal.


Essa próxima via fica em Itaqueri da Serra-SP, no Terceiro Setor e é um 8c. Foi aberta pro mim, Rafa, Koberle, bem forte com duas partes bem definidas separadas por um bom descanso. Rafa Rodrigues faz a cadena da via que é um jogo de xadrez do início ao fim. 





28 de outubro de 2013

Sobre o caso Oddo-Moroni. O fardo europeu nas terras tupiniquins.

Algumas coisas me chamaram muito a atenção no fato acontecido aqui no Brasil, mais especificamente no Planalto do Itatiaia, Rio de Janeiro. O caso foi o seguinte: durante sua visita ao Brasil, os escaladores Enzo Oddo e Gabriele Moroni, francês e italiano respectivamente, escalaram no Parque Nacional do Itatiaia na parte alta encadenando, estabelecendo, e, infelizmente, transgredindo regras éticas já muito bem estabelecidas pela comunidade local.
Além de abrirem vias em local proibido, como foi o caso de uma via aberta na Pedra da Tartaruga, considerada patrimônio público e ponto fechado para novas conquistas pela comunidade e autoridade local, fizeram um ato de desrespeito gigante ao retirar cinco chapeletas da via Tiro no Sol, localizada no Pico das Prateleiras. Essa rota foi aberta por Felipe, Wagner Pahl, Mariana Correa e Eliseu Frechou.
A cena toda se encontra nesse link: http://www.espn.com.br/post/359440_enzo-oddo-e-gabriele-moroni-transgridem-eticas-e-regras-da-escalada-no-brasil, por isso mesmo vou me atentar a certos pontos que considero mais relevantes para a discussão, deixando a historia toda para a explicação do Eliseu, que acho bem coerente.

Em primeiro lugar, os gringos pousaram em nosso país com uma finalidade bem diferente do que temos tentado levar na totalidade da escalada brasileira. Temos uma história própria e bem particular, que é ao mesmo tempo muito relacionada a história deles, afinal, somos descendentes em parte dos europeus. Na escalada, durante o início da prática brasileira tivemos muita influência européia, mas tomamos um desenvolvimento histórico próprio, em que estabelecemos para cada localidade, para cada point, uma maneira de lidar. No cipó, considerando a comunidade local e o Estado, além do capital pelas propriedade privadas, temos um movimento de apropriação dos picos para a prática da escalada. E isso, ou seja, os processos particulares de cada lugar sendo um produto do conjunto social, regem as relações que temos com as montanhas.
A questão de Itatiaia é também muito peculiar. Se trata de um parque com uma beleza, fauna, flora, aparato geológico e geomorfológico impressionantes. Além de ter sido originado como Parque Nacional num período histórico brasileiro getulista, de empreendimentos estruturais colossais de carácter altamente europeu, se assemelhando com as obras nazistas ( é o caso da construção de estruturas de caráter militar, como o abrigo Rebouças). A história da escalada e montanhismo no Planalto do Itatiaia também é uma peculiaridade e se constitui hoje como centralidade da dominação e apropriação pelo uso do Parque Nacional do Itatiaia. Nessa questão, a comunidade escaladora que já vinha estabelecendo um laço forte com o parque através da apropriação do espaço pelo uso para a prática do montanhismo em geral, e escalada em particular, se organizou para a produção de uma normatização a fim de regular o uso do parque por qualquer individuo. O processo de normatização (constituição de órgãos reguladores, grupos de trabalho etc.) ocorreu sobre o princípio de consulta a comunidade local. Portanto, as regras estabelecidas para o uso do Itatiaia faziam parte da premissa de compromisso dos habitantes e utilizadores do lugar pela manutenção e uso do espaço como bem público, a ser preservado ao máximo para o aproveitamento ideal daquele recurso, ou seja, o aproveitamento que equilibre o uso da montanha com a sua preservação melhor.
Ao praticar a retirada dos grampos os gringos não só transgrediram as regras normativas do parque, mas também infringiram um princípio político que a própria Europa formulou: o de soberania das nações. O que nada mais é que o principio de se repeitar o diferente, não impondo a sua vontade, como faz muito incisivamente os países centrais-colonialistas. A atitude de Oddo e Moroni afirma o que a história de dominação pela força fez e faz de nós terceiro mundo.
Os argumentos levantado pelos dois gringos nos meios de comunicação (8a.nu, Desnivel etc.) só confirmam essa hipótese, pois deixam claro que o sistema estabelecido por eles é o único certo, uma verdade absoluta. O que só serve para, na prática, perpetuar o sistema de exploração mundial. A escalada é dividida em uma só concepção?? Para nós brasileiros a ideia de "dry-tooling" é coerente? Algumas coisas nos argumentos dos gringos rementem a defesa de que os atos por eles praticados foram coerentes e corretos. Por outro prisma, vemos que a prática de modificar um produto ( a via) sem que exista a consciência de que a via é por si só o produto do trabalho de um (ou um conjunto deles) homem, que imprimiu sua força de trabalho, suas particularidades, e por isso, justamente isso, deve ser respeitado. Dai nasce o Direito Autoral, que é a ascepçao jurídica que garante, ao menos dentro do sistema brasileiro, o direito da via conquistada-produzida para os responsáveis pelo processo de produção da rota. O Direito Autoral é uma orientação teórica que, muito mais do que garantir o direito aos conquistadores sobre a materialidade da via, faz com que o processo de apropriação das montanhas, que é natural se formos escalar independentemente se usarmos o método messneriano ou mercadológico, seja regulamentado e portanto estabelecido por um processo público de constituição normativa. Deste modo, as regras consideradas para a prática de escalada em Itatiaia devem seguir as orientações postas pelo comitê responsável pela elaboração, execução e revisão das normas. Estas devem levar a coerência mais próxima do que o uso público, socializado e preservativo do Parque deve ser, preservando o sentido natural e histórico daquele monumento.

Alguns fatores revelam as raízes das atitudes dos dois escaladores europeus frente a nossa estrutura ética, moral e política estabelecida. Um primeiro ponto é a natureza da viagem de Enzo e Gabriele para o Brasil: uma passagem por um país que tem mostrado algumas facetas atrativas para os gringos (filmes de escalada propagandeando os picos e fazendo convites a quem queira "desfrutar do potencial do lugar", relações de escaladores brasileiros com estrangeiros por viagens, encontros, campeonatos, patrocínio, entrada de marcas estrangeiras no mercado nacional etc.). Ficou claro que eles vieram para o Brasil por compromisso trabalhista, com a finalidade de visitar alguns dos locais conhecidos no universo da escalada.
O segundo ponto seria a recepção dos brasileiros que como sempre vemos, é uma relação já de subordinação, de desvalorização de nós mesmo simplesmente pela imagem e tradição de que o povo nórdico é mais evoluído. Nisso também esquecemos que fomos explorados aos máximo pelos países europeus centrais. Recusamos nossas raízes reproduzindo uma relação de inferioridade-superioridade.

A atitude deve ser condenada. Primeiro (1) pelo fato de transgressão do principio de Direito Autoral, justamente pela via "Tiro no Sol" ter tido suas características principais destruídas. Em segundo (2), pela justificativa dos escaladores, que alegaram ser a retirada dos grampos da referida via uma atitude em favor da regra de que as formações naturais que possibilitam proteção móvel não devem receber "spits", ou seja, proteção fixa. Para começo de conversa essa regra foi discutida e incluída nos documentos de ética tanto em escala nacional, como estadual e local. A questão da "Tiro no Sol" vai além de como é possível realizar a ascençao daquela rota, pois poderia-se realizá-la em solo, em móvel, toda em chapeletas, estilos muitos diferentes que trazem as características do período de realização da conquista da via, o que pode ser muito diferente do período de repetição da mesma rota. Estas características podem marcar um período histórico da escalada, como por exemplo, a escaladas de chaminé da década de 1950 no Brasil, e por esse motivo devemos considerar um movimento histórico da escalada. Hoje temos princípios que caracterizam as regras para a nossa prática nas montanhas, e levemos em conta também que essas regras devem ser coerentes com o momento histórico que vivemos, ou seja, as regras que determinarão nossas ações nas montanhas devem condizer com a nossa realidade, vivencia, uso e apropriação do ambiente de montanha. Além dessa consideração,é importante lembrarmos que toda nossa produção material e idealista na escalada é um processo histórico que acumula o passado e também o destrói movido pela busca do futuro. A vias, as montanhas, as histórias, os escaladores, o processo de conquista de um pico, tudo o que faz da escalada algo estruturado sobre um lastro histórico, o que permite a nós nos constituirmos como escaladores, são fenômenos que se acumulam no tempo. O que hoje nós montanhistas brasileiros constituímos é uma historicidade que deve ser respeitada. Aliás, qualquer lugar do mundo deveria ser respeitado por suas particularidades muito além do respeito de uma visita efêmera. Deveríamos respeitar os lugares particulares considerando que nossas atitudes no sistema mundo interferem como condicionantes em outros locais.
Os escaladores infringiram regras que podem fazer que a administração do parque restrinja ou bloqueie de vez o acesso ao Planalto, ou então as regras podem ser alteradas a ponto de repreender a prática nociva ao ambiente de montanha, como as atitudes dos dois escaladores, Moroni e Oddo. Em terceiro (3), provavelmente necessitamos estabelecer uma consciência na comunidade brasileira escaladora de nosso arcabouço nativo, mostrando que também pensamos as questões do montanhismo, tratando de entender sempre outros contextos ocorrentes no mundo da escalada, mas que também fazemos nossas atividades orientando-as a partir das necessidades e particularidades locais.

Nao se justifica uma imposição do sistema técnico de escalada europeu (como a concepção da classificação dos ramos da escalada por Oddo: dry toolling, artificial...) como justificativa das ações dos dois escaladores em uma localidade muito bem constituída em relação as questões de montanha. Se uma regra numa localidade européia fosse transgredida por um escalador brasileiro, flagrada e autuada pelas autoridades de lá, com toda certeza o infrator seria muito bem punido, ao ponto de aprender que aquela atitude foi no sentido contrário do que a comunidade local decidiu como regra. O que essa atitude hipotética tem de comum com o caso Oddo-Moroni?? A questão da pena, fora isso, pelas funções e posições dos autores (Brasil e União Européia) as mesmas ações cometidas são tratadas diferentemente, com consequências desmedidas entre os que cometeram as infrações.

Abraços, Funari.

1 de julho de 2013

Cuscuzeiro - Manutenção do Teto da Visual.

O Pilar da Visual, no Cuscuzeiro-Analândia-SP, é um dos setores mais clássicos do arenito da região, sendo que em sua face principal existem três linhas lindas, a Let's Go Space Trucking 5º, Watch me 6sup e Visual 5º, da esquerda para a direita. Existem dois acessos, um mais a esquerda para as duas primeiras e um a direita. Depois do final dessas vias é possível acessar o cume do Cuscuzeiro por ao menos três rotas. O teto, o acesso normal e a via Mandacarú, hoje desativada.
Em Novembro de 2007 procurei os conquistadores do Teto da Visual, uma linha que passa exatamente por baixo do teto do Pilar da Visual. Ela pode ser feita tranquilamente em artificial, numa sequência de 6 ou 7 spits. Em 2007 José Ricardo e Eu, depois de mandar em artificial, fizemos a linha em livre, propondo a graduação de 7b E2. O E2 é justamente por passar em livre, num teto com dois spits ruins. Depois de trocar uns emails com o Maurício Clauzet, escalador das antigas do Cusco, decidimos que uma chapeleta potente no teto poderia possibilitar a entrada de mais escaladores numa linha fantástica. 

Esse final de semana coloquei uma proteção bomba bem no meio dos dois spits, assim fica bem protegido para guiar em livre. Proponho o nome de Promessa é dívida...mas isso pouco importa. A linha ta lá irada...da pra chegar de qualquer uma das vias do pilar, emendar no teto e tocar pro cume.




O teto é aquele láa em cima entre os urubus.


José Ricardo em 2007, durante a MEPA (Máxima Eliminação dos Pontos de Apoio) do teto.
Abraços, Frango

13 de junho de 2013

Voltaando

Sempre voltando né. Mas essa postagem é depois de mil anos sem nada, algumas fotos de trips que rolaram nesse meio tempo.
Depois mando uns relatos.
Abraços, Frango.
Renatinha em uma fenda no Col do Bauzinho. 6 grau inteiro em móvel. São Bento do Sapucaí (SBS) - SP

Terceira enfiada da via Baguette Não 5º VI A1+ E2 150 metros. Essa é a enfiada anterior ao artificial (A1+) que tentamos livrar. Essa é a segunda entrada na via, esse diedro é praticamente todo em móvel com duas chapas em trechos menos amigáveis. Pedra do Pântano, Andradas, MG.

Camp Caipira na UFSCar, CUME. São Carlos-SP

Idem

Via Chicken Salad 5º na Face Sul do Bauzinho. São Bento do Sapucaí, SP.

Gustavinho Hackul caindo do top do bloco Bigode em SBS. Depois da cadena do V8 Barba a molhadeira lá em cima não deu trégua. Xitão (de Campinas) fez uma seg monstra pra segurar a queda, correu do outro lado do bloco levando o crash e pegou o Gustavinho do voo. 

Resgatando um LinkCam que derrubamos (Renatinha derrubou, kkk) na hora de limpar uma fenda. 60 mts de rapel pra achar a peça num platô. Bauzinho SBS-SP

Tentando em livre a enfiada de A1+ da Baguette não. O lance é entrar numa pinça ruim de esquerda e um regletinho de direita, abaulado. Arruma dos pés e busca um "pocket" mais ou menos bom na esquerda, praticamente um "cruxfixo". Pedra do Pantâno, Andradas MG.

Bauzinho, SBS-SP.

Antes do primeiro crux de 9c da Hera Venenosa. Falésia dos Olhos, Brasópolis MG.

Foto emprestada do escaladaint.com.br. Guilherme (do CUME) na Colômbia 8a/b na Invernada São Carlos-SP. Essa via foi aberta pelo Russo, Genja, José Ricardo em 2008/2099 por ai. Um bom negativo de 4 chapas com crux no final. Essa via tem uma extensão até a parada da Caixa de Fósforos 7a. Assim a via fica bem maior e por volta de 8c. Se tocar mais ainda rola terminar na Caixa Extensão, levando a via para uns 30 metros, e a  você afasta uns 15 do seg...graduação dessa extensão total é 9b.

Plastic Climb na Planet Granite em São Franscisco CA EUA. Esse boulder era um V8 difícil de dinâmicos em abaulados, calcanhar na mão...

Idem. Esse boulder foi final feminina de uma competição local. V7 difícil, o final é um voo sem as mão na borda.

Yosemite National Park, CA EUA...Muitas paredes de granito, muitas fendas...a história da escalada passou forte por ali.

Idem. Bloco do Midnight Lightning, boulder feito por Ron Kauk em 1978. O raio feito de mag é clássico, e parece que foi apagado. 

Yosemite National Park CA EUA

Yosemite National Park CA EUA

Yosemite National Park CA EUA

Joshua Tree National Park CA EUA. Essa parede chama Burritos, e tem diversas vias em móvel.

Cume do Mont Rayan em Joshua Tree NP CA EUA.

Idem, Boulderno granito do Joshua, bem abrasivo.

Idem. Os blocos se juntam formando caves e negativos perfeitos para escalada. Lembra muito Valinhos, tanto a rocha quando as linhas de escalada.

Boulder difícil em Joshua.

Idem

Idem

Falésia Paraíso Pindamonhangaba SP

Idem

Idem, Animal num negativo bem hard.

Idem

Bauzão SBS SP

Face Sul Bauzinho SBS SP

Highline no Bauzão pro Bauzinho, SBS SP

Bauzão - SBS SP


Difibriiila Fiii

Russo na Soviética, setor Comunista, Pedra da Divisa, SBS SP.

Platô confortável da Sierra Maestra, Idem.

Sierra Maestra 9b irado no setor Comunista na Pedra da Divisa, SBS SP


Renatinha antes de entrar numa fenda no Bauzinho, guiando e na cadeeena, "Quer lencinho??"

Maria Alice escalando no muro do Abrigo do Velho em Andradas MG

Pedra Rolada Andradas MG, muito negativo irado

Teto de uma via sendo aberta. Idem

Idem, Alfredão num projeto na Rolada.