30 de abril de 2011

Sobre Araxá

Desde que comecei a escalar sempre ouvi dos mais velhos na escalada que o que faz a gente evoluir, na pura graduação e também na experiência "cultural" da escalada, é sempre estar na estrada pra conhecer picos novos.
E o melhor a se fazer é sempre estar mudando de tipo de pedra e estilo de escalada em cada viajem, para assim ir criando um bom repertório.
Por esse motivo resolvi conhecer o Cipó e foi uma experiência muito boa, foram 20 e poucos dias de escalada numa pedra que eu não conhecia(o calcário) e escalando vias das graduações de 4º até 10a. No último dia da trip tive a oportunidade de conhecer Conceição do Mato Dentro, pico de quartzito, muito parecido com Araxá em relação às agarras, aos lances.
Após essas trips acabei voltando no vício de São Bento, que por sinal é um vício ótimo, mas não faz com que a gente encontre aquela tal evolução tão falada pelos mais experientes.

Poucas semanas atrás veio a idéia de conhecer Araxá, cidade muito bacana no Sul de Minas. A Serra da Bocaina-Araxá fica exatamente à mesma distância de São Carlos do que São Bento, mas no sentido contrário.
Junto com o Kalango e mais uma galera de São Paulo, fomos (Animal, Jú e eu) conhecer a Serra da Bocaina.
Chegamos afobados pra escalar naquela serra gigante que encontramos ao andar um pouco na estrada de terra.
O primeiro dia de escalada foi muito massa, conheci um setor chamado Tetos. Vias curtas, vericais no começo e bem negativas no final dominam a parede, mas à primeira vista a via Hipnose 7c chamou minha atenção: um negativo de umas 7 ou 8 costuras equipadas e balançando no ar, era ali que queria entrar.
Fui escalando a via bem tranquilo e curtindo muito cada movimento e acabou saindo à vista...começava a temporada Bocaina!

Depois conheci outras vias legais e outros setores que são 5 estrelas, com muito negativo e muita via equipada.
Mas no último dia eu fui para o Setor Desconhecido. Já tinha visto o croqui do lugar e queria conhecer, mas quando cheguei na base das vias não dava pra acreditar na imponência do setor. Paredes altas, com vias de 30 a 40 metros...7c, 8b, 9c, projetos, tudo o que você imaginar.
Setor Desconhecido
A primeira via que entrei foi a Ziogui. Irada! Escalei o negativão até o crux e cheguei a entrar no crux no pega à vista. Cai roubei na costura pra conhecer o resto, via irada, negativona...se cair muito é impossível chegar na parede.
Destaque nesse setor pra cadena do Animal, no primeiro dia de escalada, da via Pra lá de Bagdá 8b à vista e sacando as costuras. Animal mandou bem e conseguiu me acompanhar nas escaladas sem reclamar do meu jeito acelerado, kkkk Valeu Animorr
A Jú mandou demais nas escaladas, encadenando 7b à vista e entrando em vários 8tavos casca.

Outro destaque da trip foi a Thays, pô, agora ela é escaladora mesmo! Entrou pro time guiando várias vias, mandou até um 5 grau com as chapas esticadas, bem esticadas. Mas o maior feito foi ter acampado no meio do nada, com banho de caneca e cia.

Araxá tá sendo o lugar, muito massa lá.
Jú avistando o 7b






Abraços, André Funari.

24 de abril de 2011

Resultados de Araxá

Nossa morada durante os 4 dias de climb na Bocaina
Pedra? muita pedra!!!

Equipando a Curta e + grossa 8c/9a?

Teto da Curta e + grossa


Animal na Hipinose 8a



Show de Calouros 8a



Animal na Show de Calouros 8a

Jú num 7a no setor Bem vindo

eaeee mano!

Setor incrível, 40 metros de negativaaaaooo, varias vias abertas já

Eu e Animal, setor desconhecido, varias vias de 40 metros muito negativas...irado o lugar

hora de partir!

19 de abril de 2011

Fotos da semana

Raúl Oset,  escalador espanhol mais brasileiro que existe
 Trinkabout V5 - Pedra da Divisa - SBS - SP

Gaivota, presidente da chapa CUME 2011, é noisss
Boulder? - Morro do Fogão - Itirapina - SP

Danizinha, escaladora XURUME
Pico? Só sei que é na gringa, pico doido

Beto, escalador artista de São Carlos
Surfista Prateado - Setor 3 - São Luís do Purunâ - PR

Liberdade para escalar

Muito me preocupa as atitudes de setores dos governos federal e estadual em relação à prática de escalada. Pode-se perceber que o caráter preservativo das ações movidas por esses membros são arbitrárias e equivocadas, atendendo à propostas individuais que de certa forma ferem a livre circulação do indivíduo em território nacional e principalmente em áreas selvagens que oferecem à população atual a prática de esportes de aventura.

A escalada brasileira tomou rumos propícios à preservação do ambiente em que é praticada e isso pode ser exemplificado por simples observações das novas áreas de escalada que vem sendo abertas/conquistadas. Os conquistadores, em sua quase totalidade, vem se preocupando em conduzir as conquistas de acordo com o Código de Ética adotado pelas entidades de montanhismo brasileiras. Esse Código de Ética respeita e segue os mais rígidos conceitos de preservação ambiental. Mas pelo distanciamento natural, ou seja, culturalmente criado pelo deselvolvimento dos esportes de aventura no Brasil,  e até pela falta de interesse dos órgãos públicos em conhecer e se aprofundar nos temas de montanhismo é que ocorrem proibições equivocadas e que ferem o nosso direito de usufruir dos monumentos naturais(lembrando que sempre com responsabilidade e coerência com a preservação ambiental e mínimo impacto).

O montanhismo sofre agora uma crise bastante clara se observarmos o número de proibições de picos de escalada no estado de Minas Gerais. Lapinha(agora reaberta), Sete Lagoas, Lapa do Antão, etc. são alguns exemplos.
O montanhismo tem que mostrar as caras. Mostrar que somos sim uma instituição digna de reconhecimento. Para isso temos que nos unir, associando-se aos clubes, e estes às federações.

O que será do montanhismo se nem ele próprio for organizado? Pense nisso.

Abraços, Frango.