São Carlos, 6 de Dezembro de 2011
União e amizade.
Durante o
final de semana de 2 a 4 de Dezembro aconteceu em São Carlos, realizado pelo
CUME, o terceiro Encontro de Montanhismo e Excursionismo de São Carlos.
No primeiro
dia de atividades foi programada uma apresentação da história do Centro
Universitário. Para isso, os dinos Clever Chinaglia, Dú Belini e Vitor Cubano
expuseram um passado muito interessante que foi responsável por fundar a base e
a estrutura da atual instituição.
Em seguida
apresentei o período recente que vivi no CUME, ou seja, desde o ano de 2006.
Uma questão me ficou martelando a cabeça depois dessa apresentação e pensei um
bocado sobre ela. A reflexão começou quando em uma das fotos que passei, a da
via "Desnudos Y Borrachos", havia colocado a graduação de 9a, pois
tinha entrado na via achando que era projeto. Isolei os lances, depois de eu
mesmo quebrar duas agarras importantes. Sem encadenar a via, supus que poderia
ser um 9a, e para a apresentação coloquei a tal graduação. Na
"platéia", dois moços riram e disseram que seria um 7c. Imagino que
eles tenham encadenado a via e portanto, têm muito mais propriedade para
afirmar algo sobre a rota. Não havíamos escalado juntos, nem conversado sobre a
incrível via. Mas nesse acontecido a graduação pouco importou. O que me estalou
à idéia foi a situação da comunicação entre os escaladores. E me preocupei,
pois a comunicação é um bom reflexo da união. Ali ficou claro o que em outros
eventos já tinha constatado, a falta de comunicação.
Lembro-me de
quando cheguei em 2006. Era uma briga na sexta-feira para decidir o destino da
escalada no sábado. Alguns queriam ir para o Cuscuzeiro, outros para Itaqueri.
Mas no final das contas íamos juntos para algum dos picos, todos juntos.
Associei esse período com as três apresentações dos dinos do CUME. As viagens
que eles faziam era exatamente isso: amizade e união. Hoje, esta chama não
queima como antes.
O CUME passa
por uma crise, é fato. E, ao meu ver, a principal causa dessa crise é a falta
total de união e amizade. Intrigas poucas que foram levadas a sério.
Preconceitos alimentados por anos. E hoje o resultado está ai: o CUME todo
fragmentado. Chegou, inclusive, a quase acabar em 2011 por conta da situação financeira e
administrativa. Seria um final triste para a comemoração dos 20 anos de sua
existência. Dai surgiu o encontro. O EMESC foi, ao contrário de muitos outros
eventos realizados e do que muitos pensaram, um momento para arrecadar alguma
quantia em dinheiro para salvar a situação crítica do grupo. E acabou como tentativa de reunião: unir
novamente os membros e amigos.
Sinto a
necessidade de transmitir essa mensagem, principalmente para a atual gestão do
CUME, não apenas os que têm o nome na chapa, mas principalmente a todos que se
sintam na obrigação de compor a estrutura Cumeana. Realimentemos o fogão à
lenha do montanhismo em São Carlos, façamos novamente esse grupo viver, e para
isso, façamos como os Dinos, dediquemo-nos de alma e coração. O CUME não é e
não pode vir nunca a ser mais do que um grupo de amigos preocupados em se
divertir e oferecer a possibilidade de diversão para o próximo. Nós, da geração
"antiga mais recente" estamos afastados. Mas quando estávamos na
direção do CUME, também tivemos que andar pelas próprias pernas. O CUME
funciona assim, através das gerações.
Acredito que
a missão esteja na mão de quem assumiu o compromisso de ser cumeano. Com o
respeito ao que nós, gerações mais antigas, construímos, o atual CUME deve
aproveitar a oportunidade que deixamos: a existência de um grupo estruturado
para tratar das questões do montanhismo nesta região, que é tão importante para
tal atividade. E deste modo, continuar escrevendo nossa história. História tão
brava e rica, de apenas 20 anos.
André Funari.
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